terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


“Não pare na pista, é muito cedo pra você se acostumar”

Bruna B. da Luz

Já dizia o bom e velho Raul, o Seixas. O fato é que com medo ou sem medo, com comodismo ou sem comodismo, dirigir muitas vezes é uma necessidade inadiável. E olha que eu tenho patente para falar sobre isso. O volante nunca me foi atrativo, nem no videogame, nem na vida real. Fiz 18 e nem “xô” para a tal carteira de motorista. Ano passado, já com 23 anos, o trabalho exigiu, mas ainda assim eu só pegava o carro quando não tinha alternativa. Para o meu santo comodismo, eu tenho um namorado paciente, que fazia o bico de motorista pessoal. O banco do meu carro sempre ficava ajustado ao tamanho das pernas dele, largamente maiores que as minhas. Até que surgiu a notícia de que eu viria morar em Cascavel, e que diante da minha completa solidão, meu Uninho seria um companheiro indispensável nas vias cascavelenses.
Pois bem, assumi a “boleia” e com a necessidade foi-se o medo, embora eu continue achando dirigir um tremendo saco. Fato é que, assim como eu, muita gente por aí tem medo, receio em dirigir, ou até mesmo certo comodismo por ter tido a vida toda alguém que fizesse isso em seu lugar. Realmente, comandar um veículo é um ato que exige muita responsabilidade, mas os sentimentos que bloqueiam esta capacidade devem ser resolvidos. Era nisso que a proprietária da auto escola Alerta, a Railda Souza, pensou por diversas vezes enquanto cursava psicologia. Bem como Andressa Schroder, que por sua vez concluiu a graduação e correu fazer o curso de instrutora de auto escola. Railda procurava uma Andressa, e Andressa procurava uma Railda que a contratasse. E assim se fez! Hoje a auto escola oferece aos seus alunos a opção de ter aulas com uma instrutora que além de ensinar a dirigir, prepara o aluno psicologicamente para isso.
Segundo Railda, o serviço é oferecido há mais ou menos 10 meses e não tem qualquer custo adicional. “Ajuda muito até na autoestima do aluno. Tem muita gente com medo de dirigir. Isso é comum, o que faz deste um mercado bem grande”, falou. Tanto é que a Andressa costuma trabalhar um pouco mais que os outros instrutores, e a tendência é que esse trabalho aumente cada vez mais, já que a auto escola pretende iniciar um trabalho de divulgação. Contudo, Railda afirmou que de acordo com a demanda, mais um instrutor da área da psicologia será procurado. Quanto ao público, os alunos de Andressa são na grande maioria mulheres, das mais variadas faixas etárias. “A mulher é mais sensível a traumas, absorve mais o medo do trânsito”, justificou Railda.
Leila Francisca da Silva é uma destas alunas. Ela contou que com uma psicóloga como instrutora, acaba se sentindo mais confiante. “É algo essencial, a gente fica mais seguro, mais confiante. Eu tinha muito medo, até porque é a primeira vez que eu pego um carro. Eu tinha pavor quando via ônibus, caminhão muito grande. Mas ela mostrou que é só prestar atenção e fazer tudo da forma mais correta possível que não tem problema”, relatou.
“Essa ideia me surgiu na faculdade mesmo. Eu percebia que alguma coisa poderia ser feita, que era possível juntar a psicologia com o trânsito”, contou Andressa. Ela considera o serviço oferecido por ela super importante, já que muitas pessoas chegam que amedrontadas se acalmam com as conversas. “Com calma a gente consegue fazer a pessoa entender do jeito certo, não adianta fazer nada com pressa”, afirmou. Conforme a psicóloga e instrutora a maioria dos seus alunos tem muito receio de envolver-se em acidentes, mas na medida em que desenvolvem a autoconfiança conseguem aprender com mais facilidade. Diante disso eu só consigo pensar em uma coisa: e como é que ninguém pensou nisso antes?

Nenhum comentário:

Postar um comentário