sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Dai bom canto ao povo, 

que um povo de boa cultura terás


Coral Municipal de Cascavel seleciona hoje novas vozes no Centro Cultural Gilberto Mayer, às 18h

Bruna B. da Luz

Eu tenho ouvido muita coisa ruim por aí. Não só eu, como você também, eu aposto. Infelizmente tem um bocado de sujeitos que acredita que realmente manja de cantoria, grava um disco e o pior: vende pra caramba! É só ligar o rádio para entender do que estou falando. Enquanto isso, muita gente que canta muito e canta bonito fica restrito aos bares, restaurantes e até ao chuveiro. Estamos nos acostumando com a baixa qualidade musical. Sou neta de maestro, e por mais que eu não toque e nem cante “necas”, cresci ouvindo que é importante separar o bom do ruim, no que diz respeito á música. Isso não quer dizer que vira e mexe não podemos nos embalar em um ritmo “gostosinho”, mas para usar a definição música é preciso fazer uma análise com seriedade. E essa não é uma afirmação preconceituosa. Não vou dizer que só Caetano e Chico são sinônimos de boa música, até porque considero o Chico Buarque um atentado à afinação vocal. Tem quem canta pagode (conhecido por mim como deturpação do samba, mas eu escuto) e canta muito, Alexandre Pires é um bom exemplo disso. 
Mas é lógico que todo esse “blá, blá, blá” ali de cima é simplesmente a humilde opinião de uma leiga no assunto. Ainda assim, continuo. Como comecei nesta semana a escrever para o caderno Mais da Gazeta, entrei no site “Cultura Cascavel”, à procura de pautas. Então encontrei um banner que informava que hoje teria uma seleção de novas vozes para o coral de Cascavel. Antes de qualquer coisa, fui para o Facebook, encontrei o perfil do coral e assisti (e principalmente, ouvi) as apresentações do grupo, de mais ou menos 40 pessoas. Vou dizer que a primeira impressão que eu tive foi simples e rápida: que negócio mais bonito! As vozes são todas muito bem encaixadas, muito bem afinadas. E olha a contradição, eles não têm álbuns gravados e nem sequer cobram pelas suas apresentações, cantam pelo simples prazer em produzir a beleza. Talvez por isso seja tão bom. 
O Coral Municipal de Cascavel nasceu em 2008, é gurizinho ainda. Ele é comandado pelo regente Jocimar Silva, pela preparadora vocal Dora Urban e pela pianista acompanhadora Raquel Rubnatto. O regente do grupo destacou que por Cascavel ser uma cidade bastante jovem, é preciso muitas vezes manifestar-se culturalmente de uma forma mais explicativa, todavia a população costuma receber muito bem estas manifestações. “Como a população vai gostar de música erudita, por exemplo, se a cidade não oferece isso a ela?”, contestou.  E para ele, ter a sociedade dentro de espaços como teatros é consequentemente ter uma sociedade mais educada. “A cidade é conhecida pela sua cultura, logo suas atividades culturais fazem com que a sociedade fique mais educada, já que a educação depende da cultura. Uma pessoa educada, é uma pessoa culta”, destacou Jocimar.

Cantando junto
Para participar do processo de seleção basta ir hoje (isso mesmo, hoje) até o Centro Cultural Gilberto Mayer às 18h. Não precisa agendar, basta chegar. Como se trata de um coral adulto é necessário ter no mínimo 18 anos, mas não precisa ter “experiência”, se você acredita que manda bem no chuveiro, basta escolher uma música e se arriscar. A participação é gratuita.  Quanto às vagas disponíveis, não existe um número exato, o objetivo dos avaliadores será equilibrar as vozes. Os aprovados terão aulas de técnica vocal todas as quartas e sextas-feiras, entre as 18h e 20h no mesmo centro cultural onde será realizada a seleção de vozes. 

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